domingo, 7 de julho de 2013
Notas do livro em jornais sorocabanos.
http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/484153/teologia-da-libertacao-e-tema-de-livro-de-sorocabano
http://www.diariodesorocaba.com.br/site2010/materia2.php?id=224903
Arcebispo de Sorocaba alude para os "perigos" do marxismo na teologia.
O Marxismo na teologia
Alguns assumiram o método de análise marxista que privilegia o conflito - a luta de classes - como ponto de partida de compreensão do processo histórico
Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues
No século passado o pensamento marxista de tal forma parecia a verdadeira interpretação da história que muitos pensadores cristãos, excluindo o ateísmo explícito do marxismo, julgaram dever adotar seu método de análise da sociedade com sua consequente práxis, como instrumento indispensável para a eficácia da participação dos cristãos no processo sociopolítico para a transformação das estruturas de injustiça. Na Europa pensadores cristãos dialogavam com pensadores marxistas e, por sua vez, pensadores marxistas reviam a posição radical do marxismo ortodoxo em relação à religião.
Essa revisão não significava, entretanto, a aceitação das verdades da fé, mas o reconhecimento de que, no decorrer da história, a fé cristã, não obstante os comprometimentos do ocidente cristão com formas injustas de estruturação da sociedade, foi também - nós diríamos foi sempre, na medida de sua autenticidade, - uma força libertadora para os pobres e oprimidos. Na América Latina teólogos católicos se sentiram no dever de pensar a fé em função da transformação da sociedade, "à luz da opção preferencial pelos pobres". Alguns assumiram o método de análise marxista que privilegia o conflito - a luta de classes - como ponto de partida de compreensão do processo histórico. Como o marxismo quis ser antes de tudo um pensamento voltado para a prática política de tipo revolucionário, as "verdades da fé" passaram a ser compreendidas em função da transformação social como motivadoras do respectivo compromisso político. Tendo na "luta de classes" a chave de leitura do processo histórico, inevitável a divisão da sociedade em dois grupos: o dos pobres "empobrecidos"- oprimidos e o dos ricos, opressores, os beneficiários da mais-valia. Ao diálogo é contraposta a dialética da luta de classes.
Essa forma de pensar a dinâmica social, universalizada, aplicada às relações intraeclesiais, postulava uma reformulação do modo de ser Igreja, onde se tornava difícil a aceitação de uma Hierarquia. Esta palavra mesma se tornou suspeita dotada pelo Espírito do carisma da verdade e do governo na Igreja. Uma eclesiologia da igualdade, embora com alguma base na Lumen Gentium, exacerbou conflitos dentro da Igreja com forte repercussão nas instituições eclesiásticas de ensino e de formação. Mesmo as verdades reveladas sobre Jesus Cristo, sobre a Igreja e sobre o Homem começaram a ser entendidas em função da transformação social, correndo o risco de perder sua identidade irredutível, sua dimensão de transcendência. Nesse sentido o discurso de João Paulo II na abertura da Conferência de Puebla foi decisivo para manter a teologia do documento fiel à Tradição e, ao mesmo tempo, atenta às exigências do momento histórico vivido pela Igreja na América Latina.
O documento de Puebla, ao tratar de "Evangelização, Ideologias e Política", analisando os vários tipos de ideologias, manifestou sua reserva à teologia que avançava nesta direção: "Recordamos com o Magistério pontifício que "seria ilusório e perigoso chegar a esquecer o nexo íntimo que os une radicalmente; aceitar os elementos da análise marxista sem reconhecer suas relações com a ideologia, entrar na prática da luta de classes e de sua interpretação marxista, deixando de perceber o tipo de sociedade totalitária e violenta a que conduz tal processo (0A 34)". Cumpre salientar aqui o risco de ideologização a que se expõe a reflexão teológica, quando se realiza partindo de uma práxis que recorre à análise marxista. Suas consequências são a total politização da existência cristã, a dissolução da linguagem da fé no das ciências sociais e o esvaziamento da dimensão transcendental da salvação cristã. Ambas as ideologias assinaladas - liberalismo capitalista e marxismo - se inspiram em humanismos fechados a qualquer perspectiva transcendente. Uma, devido a seu ateísmo prático; a outra, por causa da profissão sistemática de um ateísmo militante" (DP Cap.2: 5,5). Em parágrafos anteriores, o mesmo documento fazia a seguinte advertência: "São correntes de aspirações com tendência para a absolutização, dotadas também de poderosa força de conquista e fervor redentor ( o grifo é nosso). Isso lhes confere uma "mística" especial e a capacidade de penetrar os diversos ambientes de modo muitas vezes irresistível.
Seus slogans, suas expressões típicas, seus critérios, chegam a marcar profundamente e com facilidade mesmo aqueles que estão longe de aderir voluntariamente a seus princípios doutrinais. Desse modo, muitos vivem e militam praticamente dentro dos limites de determinadas ideologias sem haverem tomado consciência disso". O risco de uma ideologização da fé foi exaustivamente exposto pela Congregação para a Doutrina da Fé na Instrução "Libertatis Nuntius" (6 de agosto de 1984), assinada pelo seu Prefeito, hoje o Papa emérito, Bento XVI. (continua).
Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues é arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Sorocaba (domeduardo@arquidiocesesorocaba.org.br)
sábado, 22 de junho de 2013
Introdução do livro Utopias esquecidas. Origens da teologia da libertação.
O termo teologia da libertação
indica tanto uma doutrina católica quanto um movimento político, social e
religioso[1]. A
fundamentação da doutrina foi publicada em 1971 por meio dos livros de Gustavo
Gutiérrez[2] e
Leonardo Boff[3] – e foi
o próprio título do livro de Gutiérrez que cunhou o nome teologia da libertação, que também passou a designar eventualmente
movimentos ocorridos anteriormente, na década de 1960. Portanto, os livros de
Boff (Jesus Cristo libertador) e de
Gutiérrez legitimavam estes movimentos e inspiravam-se nestes movimentos. No
entanto, neste livro, aborda-se principalmente a fundamentação da doutrina. O
problema que se coloca é: como os teólogos católicos Gutiérrez e Boff
apropriaram-se de elementos do marxismo e construíram uma nova doutrina
católica em 1971?
Diversos autores citados no livro Teologia
da libertação apontam para o processo de apropriação de elementos do
marxismo feito por Gutiérrez. Estes autores citados são: os teóricos marxistas
Ernst Bloch e Mariátegui; os militantes marxistas Che Guevara e Fidel Castro;
os teólogos Jürgen Moltmann, Wolfhart Pannenberg e Johann Baptist Metz; e o
educador Paulo Freire.
A partir de Bloch, Moltmann,
Pannenberg e Metz, Gutiérrez defendeu a esperança ativa com vistas ao reino
terreno da liberdade e o avanço da religiosidade para além da vida privada. A
partir de Mariátegui, Guevara, Castro e Freire, Gutiérrez defendeu um
pensamento e uma revolução comunista não ortodoxas, condizentes à história
latino-americana. No primeiro grupo de autores – de Bloch a Metz – há as
reflexões sobre marxismo, religião, história e política. No segundo grupo, há o
apontamento de uma teoria da revolução latino-americana.
Boff também cita Moltmann e Metz com vistas à desprivatização da crença
dos fiéis. No texto original do Jesus
Cristo libertador, o teólogo brasileiro cita Ernst Bloch nas linhas finais
do livro. Além disso, encontra-se nos textos de Boff – e também de Gutiérrez –
trechos cuja natureza podemos classificar de blochianas.
Aqui vamos nos ater ao primeiro grupo de pensadores – de Bloch a Metz –,
pois acreditamos que as chaves para a conjugação entre elementos do marxismo e
do cristianismo desenvolvida por Boff e Gutiérrez estão nas reflexões sobre
estes autores.
Nosso objetivo é aprofundar a compreensão e a discussão sobre a força
social da utopia cristã popular na América Latina, que estava à vista e
efetivada nas décadas de 1970 e 1980 e que atualmente está submersa e latente. Conforme indicação do filósofo Enrique Dussel, a força social da esperança católica popular latino-americana pode ser remontada desde frei
Bartolomeu de las Casas, portanto, desde o século XVI[4].
Gutiérrez e Boff abriram um novo capítulo na história deste movimento social e
a partir do seguinte desafio: como teorizar a construção de um mundo mais justo
na segunda metade do século XX?
Ao buscarmos a resposta do problema aqui abordado
também resgataremos algumas das utopias que – semelhante a outras –
foram e ainda estão sufocadas pela hegemonia neoliberal. Resgataremos algumas utopias não para segui-las acriticamente, mas para propor uma discussão
mais rica frente ao monólogo da desesperança, do capitalismo e do
individualismo.
[1]
LÖWY, Michael. Marxismo e teologia da
libertação. São Paulo: Cortez, 1991.
[2]
GUTIÉRREZ, Gustavo. Teologia da
libertação. Petrópolis: Vozes, 1986.
[3]
BOFF, Leonardo. Jesus Cristo libertador.
Petrópolis: Vozes, 2008.
[4]
DUSSEL, Enrique. Teologia da libertação.
Um panorama de seu desenvolvimento. Petrópolis: Vozes, 1997.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
domingo, 9 de junho de 2013
Utopias esquecidas. Origens da teologia da libertação. Disponível online pela Saraiva, Siciliano e Buscapé.
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/4906120?PAC_ID=122420
http://www.siciliano.com.br/livros/utopias-esquecidas---origens-da-teologia-da-libertacao-fonte-editorial
http://compare.buscape.com.br/utopias-esquecidas-origens-da-teologia-da-libertacao-daniel-marques-vilela-8566480279.html?pos=16#precos
Não existe felicidade no presente sem esperança no futuro. É a esperança - mais autêntica quanto mais ativa - que vem em socorro do presente, contra a angústia do instante vivenciado.
http://www.siciliano.com.br/livros/utopias-esquecidas---origens-da-teologia-da-libertacao-fonte-editorial
http://compare.buscape.com.br/utopias-esquecidas-origens-da-teologia-da-libertacao-daniel-marques-vilela-8566480279.html?pos=16#precos
Não existe felicidade no presente sem esperança no futuro. É a esperança - mais autêntica quanto mais ativa - que vem em socorro do presente, contra a angústia do instante vivenciado.
sábado, 1 de junho de 2013
Utopias esquecidas, origens da teologia da libertação... disponível na livraria Livros & Cia., no Esplanada Shopping, Sorocaba, SP
O livro Utopias esquecidas. Origens da teologia da libertação, publicado pela Fonte Editorial e de minha autoria, já está disponível para venda na livraria Livros & Cia., no Esplanada Shopping, Sorocaba, SP. Dúvidas: 15) 8145-3720.
sábado, 11 de maio de 2013
Utopias esquecidas. Origens da teologia da libertação. Livro sobre Thomas Münzer, Ernst Bloch, Moltmann, Metz, Gutiérrez e Boff.
Esse livro aprofunda a compreensão e a discussão sobre a força social da
utopia cristã popular na América Latina. Esta força social estava à vista e
efetivada nas décadas de 1970 e 1980, mas atualmente está submersa e latente.
Conforme indicação do filósofo Enrique Dussel, a esperança católica popular
latino-americana pode ser remontada desde frei Bartolomeu de las Casas,
portanto, desde o século XVI. Gustavo Gutiérrez e Leonardo Boff abriram um novo
capítulo na história deste movimento social e a partir do seguinte desafio:
como teorizar a construção de um mundo mais justo na segunda metade do século
XX?
O autor ilumina o processo de desenvolvimento da teologia da libertação e
resgata utopias que foram e ainda estão sufocadas pela hegemonia neoliberal.
Resgata utopias não para que sejam seguidas acriticamente, mas para propor uma
discussão mais rica frente ao monólogo da desesperança, do capitalismo e do
individualismo.
SUMÁRIO
Introdução............................................................................................................11
Parte I
Ernst Bloch, religião e marxismo...........................................15
Capítulo I
Primeiros apontamentos sobre Bloch e sua obra..............17
Capítulo II
Thomas Münzer e a luta pela construção do reino da
liberdade...........................................................................................25
Capítulo III
Sobre O princípio esperança.....................................................37
Parte II
Pannenberg, Moltmann e Metz: teologia da história,
teologia da esperança e a nova teologia política..................67
Parte III
Fundamentos da teologia da libertação..................................79
Capítulo I
Teologia da libertação, de Gustavo Gutiérrez.....................81
Capítulo II
Jesus Cristo libertador, de Leonardo Boff...........................101
Capítulo III
Apontamentos históricos..........................................................111
Conclusão....................................................................................117
Anexo
Aproximações entre Paulo Freire e Ernst Bloch.................121
Bibliografia.................................................................................127
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